"O criador é aquele que faz avançar a história da moda" - Didier Grumbach

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Regina Guerreiro fala sobre jornalismo de moda no Brasil

por Raphael Scire

Ela abriu as portas do jornalismo de moda no Brasil, ainda que sem querer, na década de 1960. Hoje, os desfiles da São Paulo Fashion Week (SPFW) não começam sem que ela esteja devidamente posicionada em sua cadeira na fila A. Reconhecida como uma das papisas da moda brasileira, Regina Guerreiro diz que pagou um preço alto pela rigidez que exigia de sua equipe na Vogue , revista que comandou com pulso de ferro por 14 anos. "Se não tivesse muita teimosia, muita força e não me impusesse, as coisas não teriam acontecido e eu não teria me tornado Regina Guerreiro", diz. Em entrevista para o site de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, ela conta como foi o começo de sua carreira, além de dar sua opinião sobre a moda e o jornalismo de moda.

Qual é a grande diferença no jornalismo de moda quando você começou (1964) e o que é feito hoje?

Na realidade, no meu tempo não existia essa denominação: "jornalismo de moda". Eu fiz jornalismo geral. O que eu gosto e gostava, mesmo, é de escrever. Tentei vários caminhos no jornalismo, mas quando fui trabalhar na Abril, eu era uma menina que estudou em colégio de freiras, que sabia falar francês e por isso me jogaram em moda. Na verdade, não a escolhi. Eu até brinco que caí na moda em vez de cair na vida ( risos ).

Quais vertentes do jornalismo você pretendia seguir no começo da sua carreira?

Histórias policiais. Uma vez até fizeram uma brincadeira comigo no Jornal do Brasil e escreveram uma história policial como se eu tivesse escrito. E daí, no final, falava assim: "a vítima usava sandálias Chanel" ( risos ).

Pode-se dizer que você foi uma das percussoras do jornalismo de moda no Brasil?

Ah, sem dúvida! Acho que eu fui a pioneira, no sentido de que eu, realmente, comecei a trabalhar numa hora em que não existia moda no Brasil e, mesmo no mundo, ainda estava tudo na base da alta costura, de ditarem as regras do que era a moda. A primeira coleção de Dior que eu vi era uma coisa pequena, a da Chanel também.. Poucas jornalistas tinham acesso às coleções. Era um mundo muito diferente, mais fechado, mais exclusivo, mais emocionante, inclusive, porque era tudo sonho, emoção e poesia. Com o passar do tempo, essas coisas foram ficando enormes. Bom, tudo estava acontecendo. Eu posso te dizer que sou absolutamente autodidata. Nunca fiz escola [de moda] nenhuma, mas tive de percorrer um longo caminho, com a minha curiosidade. Sempre exacerbada, entrevistei pessoas muito importantes, como o Cardin, Paco Rabanne, Mary Quant. E eu ainda tinha a enorme vantagem de saber escrever. Criei, realmente, o estilo da reportagem de moda associado a uma grande cultura da imagem da moda. Eu acho que a grande falha, hoje, é que as pessoas não unem as duas coisas, ou seja, esses cursos de moda quase sempre são uma idéia meio de deslumbre. Fazer moda é muito duro, tanto na área de estilo quanto no jornalismo. Isto quando se é para fazer bem, evidentemente. O jornalismo deve seguir a moda de uma forma séria, como a expressão de uma época, de um comportamento, de um desejo ou de uma economia.

Quais foram os aspectos que você teve de desenvolver para se tornar uma referência em jornalismo de moda?

Eu acho que isso não é tão nítido, não, face ao meu estilo de vida. Eu sou uma pessoa super curiosa, super apaixonada. Então mantive a curiosidade, a paixão, a teimosia ( risos ) e, claro, o encantamento. A moda já foi uma coisa encantadora.

Não é mais?

Não diria.

Por que?

Porque teve de transformar os sonhos em números, o que é legítimo, pois tem que se sustentar uma indústria. Um sinal dos tempos, a consequência do nosso comportamento hoje. Mas que isso não é encantador, não é, de uma mesmice tediosa. Eu diria que as coisas se encolheram e a moda, então, nem se fala.

Você teve 14 anos de experiência como editora de uma das revistas de moda mais influentes do Brasil, a Vogue . Até que ponto o sucesso da publicação pode ser creditado a sua pessoa?

Muito! A Vogue era uma revista muito limitada, elitista, trancada dentro de certos conceitos da mulher chique, como "bege combina com isso, Rolex é chique"... Eu sempre fui muito malhada, inclusive, porque eu era anárquica, propunha a anticultura, a briga com a cultura. "Porque que é assim e não assado?". Levei as pessoas, principalmente as que vieram atrás de mim, as mais jovens, a essa excitação pelo que não tinha ainda acontecido, sair dessa gaiola de conceitos e preconceitos e abrir uma visão nova, mais rebelde, mais energizante.

Quais as características do jornalismo de moda enquanto jornalismo segmentado?

Acho que, infelizmente, a gente vai cada vez mais para a especialização. Temos menos cultura geral, somos mais canalizados para uma certa especialidade. Isto tem suas vantagens e suas enormes desvantagens, no sentido de que você fica muito bitolado, muito trancado dentro do seu mundinho. Isso até aconteceu comigo. Quanto mais se especializa, você tem menos tempo para olhar tudo. Essa é a grande desvantagem. Eu acho que essa coisa de segmentar é algo que vai se desenvolver ainda e o segmento do jornalismo de moda, se não tiver uma cultura geral por trás, tende a um empobrecimento enorme.

Hoje em dia, como você avalia o jornalismo de moda feito no Brasil?

Eu acho que, por exemplo, uma pessoa como o Alcino [Leite Neto, editor de moda do jornal Folha de S. Paulo], que é uma pessoa extremamente culta, cuja especialização é cinema, quando passa para a moda, traz uma bagagem cultural e de jornalista. A coluna dele é uma coluna que eu leio. As outras, passo o olho, mas não me impressiono muito, não. Eu acho que quem faz só moda em geral, que começou fazendo jornalismo de moda, são pessoas com menos bagagem e que conseguem falar de moda de uma maneira menos profunda ou puramente didática - preto se usa com isso, com aquilo - o que chamamos de "autoajuda fashion" ou, de forma muito fria, muito preocupada com o estilo, com a grandiosidade do evento, com os números, do que o que está acontecendo com a moda propriamente dita.

Quais as publicações, aqui no Brasil, são relevantes para a divulgação da moda?

Olha, tudo virou uma receita, tudo sai de uma forma. Eu não vejo, no jornalismo de moda brasileiro, uma vitalidade, uma originalidade. Ficamos muito colonizados ao que eram as revistas estrangeiras. As matérias não puxam o olho: você folheia as revistas e não se sabe direito o que está vendo. `uma fileira de imagens, de produções extravagantes para dizer "olha como sou original". Vejo o jornalismo de moda brasileiro muito sem apelo. A redatora está separada da produtora, da editora. Se a editora não sabe como contar uma história, a coisa fica pobre. Pega qualquer revista e vai ser muito raro encontrar uma matéria que tenha um gancho editorial e, ao mesmo tempo, de imagem.

O seu olhar para as coleções sempre foi muito ácido. Há pouco tempo você assinou a direção criativa da grife TNG. Como foi passar para o outro lado da crítica?

Eu tentei fazer da TNG uma coisa melhor. Não consegui. Não porque é uma coisa popular, pois acho maravilhoso fazer algo popular. Eu, por exemplo, fui ver o trabalho da Renner na semana passada e fiquei surpreendida, diria até mesmo encantada com a preocupação deles de fazer um produto barato, acessível. E esse é o meu sonho. A moda não pode e não deve ser o privilégio de uma minoria. Agora, dependendo da indústria, você consegue ou não consegue. Eu diria que, na TNG, não tive meios básicos. Faltava pano, faltava gente, faltava informação. Eu levava meus livros e eles desapareciam. `uma indústria mais preocupada com o lucro do que com a missão de deixar as pessoas mais bonitas. E as pessoas mais toscas, mais primárias, não se preocupam com isso, elas estão só preocupadas com o faturamento.

Você ficou quanto tempo à frente da direção artística?

Eu fiz quatro coleções, o que é uma coisa raríssima. Ninguém aguenta mais do que uma lá. Acho que aguentei quatro porque, como eu disse, sou muito teimosa. Mas a minha coisa de criação também é muito relativa. Eu passava as noções para os estilistas e eles desenvolviam. O problema, aí, é o da realização, que emperrava. Eu mandava uma coisa e vinha outra. Esse é um dos pontos mais graves.

Uma das grandes críticas à semana de moda de São Paulo é que o que é apresentado nas passarelas tem uma verve muito mais comercial do que criativa, diferentemente do que é visto lá fora, em Paris, Milão, Nova York e Londres, por exemplo. Você concorda com essa crítica?

Eu não acho comercial. Muita coisa do que eles jogam nas passarelas nem vai estar nas lojas. Paris continua sendo o centro da criação; Itália, da técnica. Muitas vezes a gente dizia, há dez, quinze anos, que a seda pura francesa era italiana (risos). Londres, eu adoro: é um centro provocante, são exóticos, anárquicos. Acho a mentalidade londrina muito boa. Claro que, em termos comerciais, nunca mais vai emplacar. Mas, não podemos só pensar assim. Temos que nos preocupar em sustentar a indústria, mas também o retrato do mundo. Você vê roupas na passarela que não vão mudar o futuro de ninguém.

Uma discussão que ressurgiu agora com a última SPFW sobre a magreza das modelos, ainda mais depois da resposta da Anna Wintour (editora de moda da "Vogue" americana) à carta do Paulo Borges (organizador do SPFW e do Fashion Rio). Você acha que a indústria da moda, no Brasil, é tirânica no que se refere aos padrões de beleza apresentados nas passarelas?

Não sei por que foi acontecendo isso. Nos anos 1980, o grande momento apoteótico em que a modelo se transformou em top model , quando surgiu Linda Evangelista, Naomi Campbell e Carla Bruni, elas não eram assim. Eram mulheres elegantes, altas, mas não eram palitos. Essa coisa de palito, acentuadamente brasileira, é mais fácil para o estilista. Mais fácil vestir um cabide do que uma pessoa. Eles dizem que não fazem isso, mas não é verdade. Eu sei de estilistas aqui que dizem que a modelo está gorda, exigem manequim 36. Essas meninas, quando fazem amor, "craquelam" ( risos ).

Quem você aponta como os grandes nomes da moda brasileira atualmente?

Ninguém é bom o tempo inteiro. Temos altos e baixos. Se você considerar como obra, como tudo o que foi feito até agora, eu destaco o Alexandre (Herchcovitch) e a Gloria Coelho. E, como moda brasileira, de ir ao fundo de nossas raízes, ser extremamente sensível, eu destaco o Ronaldo Fraga.

Em 2009, você foi a grande homenageada do Prêmio Moda Brasil. Como se sentiu?

Foi muito bom. Quando o tempo passa, a gente esquece tudo o que fez. E a gente tende a falar "puxa, não sou nada", você sente um esfarelar... De repente, eu me peguei olhando para coisas que fiz há trinta anos e tive uma surpresa de como eu era atual, como meu texto era inteligente e como a minha imagem era emocionante. Isso tudo, modéstia à parte. Não estou falando para me gabar, estou falando que foi bom para eu me "reenergizar".



sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Costura do Invisível


"Uma coleção de papel, um simples rasgo, um conto de fadas playmobil, que se tornou um ícone da moda"

Em 2004, durante a São Paulo Fashion Week, o estilista Jum Nakao apresentou o último desfile de sua carreira. A apresentação foi mais que um desfile, foi a construção de um paradigma, e a prova disso foi o desenvolvimento do livro e do documentário,que continuam reverberando o desfile e o trabalho de Jum Nakao como um todo.

"O que você faria se você não tivesse que se preocupar com nada? É preciso iniciar, renovar... É necessário fugir das coisas obvias. Sem o espectador a obra não existe"

(Jum Nakao)


O desfile é de uma leveza peculiar, e transmite exatamente o que Nakao fala: "O efêmero também pode permanecer".

Decidindo por uma coleção feita de papel, o objetivo mais importante da exposição foi o detalhamento nas roupas que as faria delicadas, causaria como diz o estilista um "deslumbramento" nas pessoas que as vissem.

Baseadas no final do século XIX as roupas são intensas na elaboração da forma, do trabalho e do processamento. Os papéis foram todos cortados à laser, utilizando sempre o papel vegetal para um efeito do "quase invisível". O propósito era tornar as roupas o mais impecáveis possível para que só fosse percebido de que material eram feitas na hora em que fossem retiradas.


As perucas Playmobil foram escolhidas para ser a peça constante do desfile. Um boneco Playmobil pode ser qualquer personagem e terá o mesmo cabelo. O objetivo era que as pessoas se identificassem com um elemento familiar e que pudessem se projetar na coleção, nas roupas, e se prender à um conceito ao invés de uma identidade de uma modelo em singular.

Houve uma decisão de organizar o show seguindo o mesmo padrão dos desfiles convencionais no andar da passarela, para dar a impressão de ser apenas mais um desfile feito de papel, porém no instante em que as modelos surgem para os agradecimentos há a quebra das regras convencionais de um desfile com uma alteração das luzes e da trilha e a destruição das roupas pelas próprias modelos, tudo para um impacto maior na audiência


"Redescobrir a importância de nos surpreendermos com o mundo, estarmos atentos e sensíveis a pequenas coisas, encontrar um novo sentido como turista nas coisas banais, da importância de um instante de leveza"

(Jum Nakao)





segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Hubert de Givenchy

Hubert de Givenchy

"Para os que se preocupam com qualidade, o prestígio é a coisa mais importante. Acredito sempre na alta-costura e desejo que ela dure até o fim da minha carreira. Sempre a defendi, com a perfeição que ela implica. Não há duas maneiras de se exercer a profissão. Sucesso não é prestígio. O sucesso é passageiro, o prestígio é outro assunto. Ele persiste depois da gente. É preciso trabalhar para não ter trabalhado em vão."

Givenchy


A extrema elegância sempre foi a principal marca das criações clássicas de Hubert de Givenchy, um francês reconhecido mundialmente por seu trabalho coerente e requintado.

Ao contrário do que sua família desejava, Givenchy não se tornou advogado, tendo cursado a Escola de Belas Artes, em Paris. Chegou a trabalhar com nomes importantes da costura parisiense, como Jacques Fath, Robert Piguet e Lucien Lelong. Trabalhou também com Christian Dior e Elsa Schiaparelli, antes de abrir sua própria maison , em 1952, no número 8 da rua Alfred de Vigny, na Monceau Plain, em Paris. Nesse mesmo ano, apresentou sua primeira coleção de alta-costura, que ficou marcada pela blusa de babados nas mangas, batizada de Bettina, nome da sua principal modelo e também relações públicas da marca. Durante os anos 50, ele criou vários modelos "chemisier", na forma saco, largos na parte superior e afunilando-se em direção à bainha. Também fez muito sucesso com os separáveis - peças que podem ser combinadas entre si -, e com as suas famosas blusas de tecidos de camisas. Foi o primeiro designer de alta-costura a apresentar uma coleção feminina de prêt-à-porter, intitulada "Givenchy Université", em 1954.


Blusa Betina


A atriz Audrey Hepburn (1929-93) traduzia o ideal de elegância e glamour que Givenchy queria para suas roupas. Era a mulher perfeita para vestir suas criações, sempre impecavelmente bem proporcionadas.


"Eu trabalho mais sobre modelos vivos que com manequins de madeira. Os manequins vivos são fonte de inspiração. Audrey Hepburn encarnou, para mim, um ideal feminino, por suas proporções e também por sua imagem."


Em 1973, entrou para o mundo da moda masculina, com o lançamento da linha Gentleman Givenchy . Em 1981 , a Maison Givenchy foi vendida, sendo que a linha de perfumes ficou com a Veuve Clicquot , e a parte de alta-costura foi para o Grupo Louis Vuitton Moët Hennessy . Atualmente, a Louis Vuitton também é proprietária da linha de perfumes fabricados pela Givenchy.

Givenchy despediu-se das passarelas em 1995 , com um desfile para o qual foram convidados apenas amigos pessoais, estilistas e principais clientes. A marca Givenchy continua a existir. Algumas das principais modelos da marca são Liv Tyler e Paula Enderle, famosas pelos comerciais da "grife".

Um ano depois, em outubro de 1996, o também britânico Alexander McQueen foi escolhido como seu sucessor. Sua primeira coleção para a Givenchy foi apresentada em janeiro de 1997 e, em 1998, ganhou o prêmio de melhor designer do International Fashion Group . Após algumas especulações sobre quem se tornaria o principal nome da marca, no lugar de McQueen, Julien Macdonald foi nomeado diretor artístico da casa em março de 2001.


Modelo Givenchy

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Christian Dior e a reinvenção da silhueta feminina

Christian Dior, em seu primeiro ateliê

Um homem tímido e aparentemente comum, Christian Dior (1905-1957) transformou a maneira de se vestir após a Segunda Guerra Mundial e criou o estilo dos anos 50. Quando todos previam simplicidade e o conforto, ele propôs o luxo e a feminilidade extrema, copiados por mulheres do mundo inteiro.

"Nós saímos de uma época de guerra, de uniformes, de mulheres-soldados, de ombros quadrados e estruturas de boxeador. Eu desenho femmes-fleurs, de ombros doces, bustos suaves, cinturas marcadas e saias que explodem em volumes e camadas. Quero construir meus vestidos, moldá-los sobre as curvas do corpo. A própria mulher definirá o contorno e o estilo."

Christian Dior Sua primeira coleção foi apresentada no dia 12 de fevereiro de 1947 e causou um verdadeiro estardalhaço entre a imprensa. Aquele homem tímido e educado havia criado o eterno "New Look". Surgia aí um mito, Christian Dior, que viria se tornar sinônimo de sofisticação e elegância no luxuoso mundo da alta-costura.

Quando Carmel Snow, redatora da revista americana "Harper's Bazaar", viu os modelos apresentados por Dior, exclamou: "This is a new look!" Desde então, o nome original da coleção, que era "Ligne Corolle" (Linha Corola), se tornou conhecida como "New Look". Em sua primeira coleção, Dior conseguiu mudar todo o conceito de praticidade e simplicidade das roupas femininas, até então uma necessidade dos tempos de guerra e uma tendência da moda criada por Chanel. Após tantos anos de restrições, a mulher necessitava se sentir novamente feminina e ansiava pela elegância e o luxo perdidos. Dior acertou e criou modelos extremamente femininos, luxuosos, sofisticados e elegantes, inspirados na moda da segunda metade do século 19. Os vestidos e saias eram mais longos, o busto mais acentuado, a cintura bem marcada e as saias amplas. Apesar das críticas, com relação a grande quantidade de tecido usado por ele para a confecção de vestidos e saias, ainda num momento díficil para a indústria têxtil, nunca um estilo de roupa chegou tão rápido às ruas. Mulheres de todas as partes do mundo copiaram seus modelos.

O "tailleur Bar", símbolo da primeira coleção assinada por Christian Dior

O modelo que se tornou o símbolo do "New Look" foi o tailleur Bar, um casaquinho de seda bege acinturado, ombros naturais e ampla saia preta plissada quase na altura dos tornozelos. Luvas, sapatos de saltos altos e chapéu completavam o figurino impecável. Com essa imagem de glamour, estava definido o padrão nos anos 50.

Em sua coleção de 1951, o estilo princesa ficou consolidado como sua marca, mas a novidade foi o uso do terno masculino em roupas femininas. Dior apresentou um tailleur em lã cinza, que expressava todo o conceito de masculinidade, transportado às roupas femininas. Criou a linha H, em 1954, que era a base de toda a coleção, com modelos que erguiam o busto ao máximo e baixavam a cintura até os quadris, criando a barra central da letra H. Também criou modelos luxuosos, com muita seda e tule bordado com incrustações drapeadas, como no vestido de baile "Chambord", que para ele significava o luxo ao redor da cintura, além dos vestidos de tecidos diáfanos, com várias saias sobrepostas e comprimentos variados. A linha Y surgiu em 1955 e mostrava um corpo esguio com a parte superior mais pesada, com golas grandes que se abriam em forma de V e a "Linha A" trouxe vestidos e saias que se abriam a partir do busto ou da cintura para formar os dois lados de um A. Fortes referências da marca CD até hoje, e que ficaram famosas durante os anos 50, são as estolas, as mangas três quartos, além do conjunto em tons pastéis de cardigã, blusa e saia de crepe.

Linha H, Dior – 1954

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Cristóbal Balenciaga

Figura 1 - Cristóbal Balenciaga


A pureza das linhas, a audácia dos volumes e o rigor arquitetônico poderiam estar em qualquer passarela de alta-costura dos dias atuais. E, na verdade, estão. A quantidade de estilistas que hoje estão se inspirando, reeditando ou simplesmente copiando os modelos de Cristóbal Balenciaga atesta: no mundo da moda, efêmero pela própria natureza, só os grandes atingem a atemporalidade.

Até recentemente, seu nome era reconhecido apenas pelos especialistas ou pelos saudosistas. Embora tenha dividido com Christian Dior o palco dos anos dourados da alta-costura, do pós-guerra ao começo da década de 60, ele aparecia muito menos.

Figura 2 - Look de Balenciaga


Foi o concorrente famoso, porém, que o chamou de “o mestre de todos nós”.

Corte e costura no sentido literal: ele era exímio – e ambidestro – no manejo das tesouras e das agulhas.

Nascido na pequena cidade basca de Guetaria, filho de pai marinheiro e mãe costureira, Balenciaga já tinha nome firmado na Espanha quando, aos 42 anos, se mudou de mala e manequins para Paris – e marcou para sempre a história da moda. Ex-patrão e mentor de André Courrèges e Emanuel Ungaro, amigo de Hubert de Givenchy, foi celebrado por todos os seus pares como o ápice da perfeição na confecção, na forma e na simplicidade, sua maior aspiração. Balenciaga morreu em 1972 e, como em tantos casos similares, a marca que deixou entrou em decadência acelerada.

Figura 3 - Look Balenciaga


Menos conhecida do que grifes como Dior ou Chanel, foi resgatada da irrelevância com a contratação, em 1996, de um jovem de apenas 25 anos, Nicolas Ghesquière. Considerado um dos maiores talentos, talvez até o mais brilhante, da moda atual, ele reconduziu a grife Balenciaga à vitrine das marcas modernas, copiadas e cobiçadas.

Numa entrevista recente, Ghesquière rememorou o “caminho tão abstrato” que ele e outras estrelas do modernismo, como Helmut Lang, Jil Sander, Yohji Yamamoto e os demais japoneses, trilharam nos anos 90. “Agora vejo que era um conceito totalmente Balenciaga”, acrescentou.

Figura 4 - Look Balenciaga


Tal como, para os argentinos, Carlos Gardel canta cada vez melhor, para os admiradores de Balenciaga o costureiro basco fica cada vez mais moderno. Uma doce ironia, levando-se em conta que ele se inspirava em quadros de Velázquez e Zurbarán, tinha no ateliê prateleiras repletas de revistas de moda do século XIX, das quais era capaz de reproduzir modelos linha por linha, e finalmente foi engolido pelas gigantescas transformações sociais desencadeadas em meados dos anos 60.

Hoje praticamente qualquer babado gigante, caimento sinuoso ou bolero ibérico que se vê nas passarelas deve alguma coisa a Balenciaga.

Figura 5 - Look Balenciaga


Conhecido por ser capaz de disfarçar corpos não tão em forma, ele costumava combinar um forro bem justo ao corpo, como uma segunda pele, com roupas mais soltas, de caimento perfeito. Excepcional conhecedor do coupe, o corte do tecido, Balenciaga foi ao mesmo tempo criativo e comportado, ousado e elegante, sofisticado e simples.

E, claro, carésimo. “Dior vestia as ricas; Balenciaga, as milionárias”, escreveu o historiador inglês Paul Johnson em seu último livro, Os Criadores. “Suas roupas eram, acima de tudo, confortáveis, um fato surpreendente, considerando-se sua grandeza, sua complexidade e a magnificência dos materiais usados.”

Em 1967, quando a onda da contracultura varria o planeta, o estilista encerrou seu desfile com um magnífico vestido de noiva composto de uma única costura. Seis meses depois, mais uma coleção, e fim – o mestre, diante de um mundo que não era o seu, fechou o ateliê. Em menos de cinco anos, estava morto. “De todas as pessoas criativas que encontrei, Balenciaga foi a mais dedicada à criação de coisas belas”, escreve Johnson.

Figura 6 - Vestido de noiva Balenciaga


“Balenciaga deu à mulher uma forma mais ousada, mais conceitual”, analisa a estilista Clô Orozco, da Huis Clos, fã do trabalho do costureiro que inventou, entre outras modernidades, o vestido-saco, a saia balonê e o casaco com manga de quimono e que sempre fazia ele mesmo, do começo ao fim, um vestido preto entre os cerca de 200 modelos de cada uma de suas coleções.

“Ele inventou o minimalismo na moda, com a idéia de movimento na depuração das formas”, avalia Ghesquière, que terá vinte modelos na exposição que ajudou a montar e na qual Balenciaga brilha no lugar que merece.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Chanel - eterna e polêmica

O que é Chanel?




Não só a mulher desafiadora e ousada que quebrou as correntes do vestuário feminino no século XX, mas um mito.



Gabrielle Coco Chanel revolucionou a estética da moda nesse período.



Diminuiu os comprimentos das saias, incentivou hábitos impensáveis até então como fumar em público, dirigir, usar calças e cabelos curtíssimos.


Lançou uma coleção inteira em um tecido não considerado nobre, o jérsei. Sendo essa mesma coleção seu trunfo para inserção de um conceito de estilo, único e que perdura em pleno século XXI.


Inigualável e célebre Chanel.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Worth - Pai da Alta-Costura


Charles Frederick Worth (1825- 1895) é considerado o primeiro grande criador de moda.



Associada à sua imagem está o conceito de Alta-Costura. É o costureiro alçando vôos maiores, se permitindo exercitar sua capacidade criadora e vendo suas roupas despertarem o desejo de várias consumidoras.



Os vestidos de Worth iriam estar nas toilletes das mais prestigiadas senhoras da Europa, fazendo com que logo se tornasse uma das mais prestigiadas casas de alta-costura da França.



Um dos grandes méritos de Worth foi associar as evoluções tecnológicas, advindas da Revolução Industrial, à produção de vestidos de luxo em série, com um sistema de produção extremamente dinâmico para a época.

Chegava a produzir em média de 6.000 a 7.000 vestidos ao ano, para a Europa e Estados Unidos.


Em sua primeira Maison, em sociedade com Otto Bobergh, chegou a ter quase 1.200 funcionários, estabeleceu o conceito de produção fabril e o de algumas profissões como a de modelista.



A ele também está ligada a origem dos desfiles de moda, pois em 1858 reuniu suas clientes mais importantes para apresentar uma nova coleção de vestidos.


Suas roupas também já traziam a idéia de marca registrada, vindo com a etiqueta da maison.