"O criador é aquele que faz avançar a história da moda" - Didier Grumbach

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"Coco antes de Channel"

O filme Coco antes de Channel faz juz ao prêmio que ganhou em 2010 de melhor figurino. A Maison Channel foi criteriosa ao assinar os principais looks que compõe a personagem interpretada por Audrey Tautou de Gabrielle Coco Channel, em sua fase jovem.

O grande mérito do filme é trazer referências da vida desta mulher, que pode ser considerada uma revolucionária. Coco quebrou grandes tabus, em pleno início do século XX, quando adotou uma postura feminista e libertária. Até então as mulheres nunca haviam usado roupas que mostrassem suas pernas ou tão pouco calças e trajes bem característicos do vestuário masculino. Seu comportamento também exibia uma mulher muito à frente de seu tempo, fumar em público ou dirigir carros era algo que as mulheres desse período não faziam.

Mademoiselle Channel trouxe grandes contribuições para a indústria de moda, libertando as mulheres de seus cruéis espartilhos, proporcionando mais liberdade na escolha dos tecidos e formas, como por exemplo na sua primeira coleção de peças feitas com jersey. Sua personalidade forte fez com que fosse muito admirada e frequentasse os melhores ciclos sociais parisienses, teve grandes e influentes amigos de cunho artístico e cultural, e sempre foi alvo de críticas constantes pelo seu temperamento arisco. A indústria de produtos Channel é hoje uma das mais admiradas por consumidoras de todo o mundo.


De volta ao Blog...


Olá queridos amigos do Blog História da Moda!
Após um longo período de afastamento, devido à alguns problemas de saúde, retorno ao Blog com atualizações e novas postagens. Espero que desta vez possamos aprofundar mais nossas discussões sobre moda, considerando seu conceito histórico e suas abordagens mais contemporâneas.
Gostaria de contar com a participação de todos vocês e lembrar que essa troca é muito saudável e permite ampliar nosso conhecimento sobre este tema tão interessante.
Avant, Thiago Cerejeira





domingo, 24 de maio de 2009

Ponto Cruz



O ponto cruz vem de épocas muito antigas, aproximadamente 500 DC. Espalhou-se pela Europa, Ásia e Estados Unidos, principalmente na Inglaterra, onde foram encontrados os primeiros trabalhos, em 1598.

Naquele tempo, o ponto cruz era para as mulheres a única escola que lhes permitia aprender junto a técnica dessa delicada arte: letras do alfabeto, borboletas, flores, casas, bordas floridas e as famosas amostras (samplers - na língua inglesa). Nos motivos, apareciam a assinatura de quem realizava o trabalho, a data e as vezes a idade da bordadeira.

Nos dias atuais em muitas comunidades ainda se encontram trabalhos manuais envolvendo diversas técnicas, tais como: ponto cruz, ponto cheio, vagonite, ponto corrente, ponto português, ponto folha, ponto atrás, rococó, entre outros.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Década de 40 - Moda e Guerra



Longe de perceber o perigo que se avizinhava na primavera de 1940, a maioria das grandes casas de Paris, lançou suas coleções habituais.



Eclode o segundo grande conflito do século XX. Paris caiu em 1940. Entretanto, durante a Segunda Guerra várias maisons continuaram a funcionar.


As roupas da época da guerra demonstram com que força a moda reflete a situação econômica e política vigente, a atmosfera do momento. O racionamento de roupas foi estabelecido em 1941.


As roupas ganharão forte apelo masculino e militar, com carater utilitário.


A Sociedade de Estilistas de Moda de Londres, segue rigorosamente as instruções de sobriedade impostas pelo Governo. Este os obriga a utilização mínima de tecidos nos moldes e a eliminação de detalhes ornamentais


De acordo com os imperativos econômicos, regras estabelecidas limitavam a metragem do tecido, o comprimento e a largura da saia. Aplicam-se mudanças no processo de fabricação e a racionalização da mão-de-obra.


A palavra-chave chama-se "recessão". Os tecidos e aviamentos são agora racionados e fiscalizados.

Nessa época de racionalização e penúria é comum uma prática antiga : a costura feita em casa e o aproveitamento do velho, do usado.

O grande look do início da década é o conjunto saia/casaco, além da saia-calça


A saída para os estilistas eram as variações nos detalhes, da cor do debrum, ao bolso falso. A forma era de ombros quadrados, reta, de corte masculino imitando o corte das fardas. Moda militarizada.

As saias tinham pregas finas. Calças compridas de corte masculino eram populares.

Vestidos que pareciam saia e casaquinhos abotoados, faziam sucesso, à medida que as restrições aumentavam. Para o consumo eram necessário muito menos cupons, na hora da compra.


Turbantes, Chápeus, Lenços e redes para o cabelo estiveram em alta, assim como bolsas a tiracolo, de passeio e utilitárias. Os sapatos tinham aspecto pesado e masculinizados, incluindo o modelo plataforma, muito difundido por Carmem Miranda.


Como as meias de seda foram interditadas, as meias soquetes fizeram sucesso, como os turbantes, os lenços de cabeça, e ainda os chapéus. A moda se concentrava nos ornamentos


A Guerra mudou toda a estrutura da Indústria de Moda. Os Estados Unidos e a Inglaterra implantaram suas próprias indústrias de confecção, cada vez mais independentes.

A alta-costura luta para sobreviver com uma clientela reduzida e consegue permanecer em Paris.


Em 1945 uma exposição chamada “Le Theatre de la Mode”, no Museé de arts Decoratifs com o apoio dos principais costureiros, mostra a vontade com que eles e o Governo se empenham em reerguer a indústria da Alta-Costura.


Em 1947, Christian Dior sacode o mundo com sua coleção batizada de “New Look”. Seus modelos fazem enorme contraste com o modo de se vestir em tempos de Guerra.


Um vestido podia exigir até 25 metros de tecido, e o estilo acentuava e exagerava as formas femininas graças a roupas íntimas com barbatanas e tecidos engomados. O New-Look (Linha Corola) provocou controvérsias em todo o Ocidente. Muitas mulheres adotaram o estilo, mas outras reagiram contra ele.



Em 1948, impõe-se gradativamente um conceito trazido dos EUA por Weill – o ready-to-wear, que logo se tornou o prêt-a-porter

Aos poucos, 80 % da confecção comum foi substituída pelo prêt-a-porter, inspirado no estilo americano, deixando de lado a Alta-Costura.



Logo após a Libertação, Lucien Lelong relança para o mundo a imagem da Alta-Costura. No final da Guerra estavam lançadas as bases de uma Alta-Costura independente e de uma indústria de moda para um mercado de massa.


Década de 30 - A crise

A década de 30 começa sentindo o reflexo da crise da bolsa de Nova York.
É um período de crise, que se reflete na moda tornando o visual de homens e mulheres mais sóbrio, com aparência mais adulta porém não menos sofisticado



O glamour das atrizes hollywoodianas é a imagem do momento. Greta Garbo, Marlene Dietrich, Mae West, Jean Harllow são as divas mais copiadas.


Greta Garbo


Marlene Dietrich




Mae West




Jean Harllow


Ombros destacados, o retorno da marcação da cintura e costas nuas







Os comprimentos são mi-molets, justos ou retos, com corte godé ou evasé


A calça pantalona

Cetins, corte no viés e tecidos sintéticos são algumas das novidades que aparecem


Trajes esportivos e trajes de banho



Cabelos curtos e ondulados nas pontas davam o up ao visual, junto a chápeus de abas pequenas ou largas com flores

Década de 20 - Os anos loucos


O que marcou a década de 20?

Leveza, funcionalismo e celebração da vida. Características que surgem após a carga traumática da 1ª Guerra Mundial


A imagem da mulher se transforma associada à inúmeras transformações sociais da época


A música traz roupas adaptadas a seus ritmos: jazz, foxtrot e o charleston



Silhueta tubular, sem marcação de cintura, quadris ou seios.


Vestidos vaporosos e fluidos com meias tom da pele


Chápeu cloche


Estilo à la garçonne com a inserção do traje masculino, cabelos curtos e sexualidade liberada


Maquiagem marcante: olhos delineados, boca de coração e sombrancelha raspada e delineada


As celebridades que influenciavam as mulheres deste período: Josephine Baker, Gloria Swanson, Mary Pickford, Suzanne Lenglen





O estilo Art Déco influencia as artes e arquitetura e consequentemente a moda




O cinema mudo atinge seu auge encantando e divertindo as pessoas



Aqui, a Semana de 22 vai marcar decisivamente a cultura brasileira, com os novos ares defendidos por intelectuais e artistas como Tarsila do Amaral e Anita Malfati, entre outros